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Estudo gravimétrico: o que é, para que serve e como interpretar os resultados

Entenda o que é estudo gravimétrico de resíduos, para que serve, quando é pedido, qual a composição média do lixo no Brasil, o que o relatório deve conter e como transformar os números em decisões.

Maria Eduarda Caçador Branco Escrito por Maria Eduarda Caçador Branco 7 min de leitura
estudo gravimétrico

O estudo gravimétrico mostra, em peso e em porcentagem, do que é feito o lixo de um lugar: quanto é orgânico, quanto é papel, plástico, vidro, metal e quanto é rejeito. Em resumo, ele transforma a pergunta o que a gente descarta em números, e esses números sustentam decisões de coleta, contratos, reciclagem, compostagem e metas do PGRS. Além disso, é a base de qualquer diagnóstico sério de resíduos, seja em uma cidade ou em uma empresa.

Neste artigo, explicamos o conceito, para que serve, quando costuma ser pedido, a composição média do lixo no Brasil e como interpretar um relatório. Se você quer o procedimento de campo, com equipamentos e cálculos, veja como fazer estudo gravimétrico.

O que é estudo gravimétrico?

Vale destacar que o termo gravimetria também aparece em outras áreas, como a química analítica e a geofísica, com significados diferentes. Na gestão de resíduos, ele sempre se refere à pesagem por tipo de material.

Para que serve a gravimetria de resíduos?

Serve para decidir com base em dados, e não em impressão. Na prática, o estudo responde a perguntas como estas:

  • Quantas e quais lixeiras comprar, e de que tamanho.
  • Qual a frequência de coleta e o volume a contratar.
  • Vale a pena compostar? Depende de quanto orgânico existe.
  • Há material para vender? Papelão e metais em volume costumam ter comprador.
  • Quais metas colocar no PGRS, com uma linha de base confiável para comparar depois.
  • Onde está o desperdício, por exemplo sobras de alimento ou embalagens de fornecedores.

Quando esse estudo é exigido?

A Lei 12.305/2010 não usa o termo estudo gravimétrico, mas exige o que ele entrega. Em primeiro lugar, o PGRS precisa trazer o diagnóstico dos resíduos com origem, volume e caracterização (art. 21, II). Em segundo lugar, o plano municipal de gestão integrada precisa do mesmo diagnóstico para o território da cidade (art. 19, I).

Portanto, quando a empresa não tem registros confiáveis de quantidade por tipo de resíduo, a gravimetria é a forma técnica de produzir esse dado. Além disso, termos de referência de órgãos ambientais e editais de prefeituras frequentemente pedem a composição gravimétrica de forma expressa.

Composição, peso específico e taxa de geração: qual a diferença?

Um estudo completo costuma entregar três números diferentes. Entender cada um evita erros de dimensionamento:

Indicador O que mostra Unidade Para que usar
Composição gravimétrica Percentual de cada material no total % Definir frações, parceiros e metas
Peso específico aparente Quanto pesa um volume de resíduo solto kg/m³ Converter peso em volume para dimensionar coletores e caçambas
Taxa de geração Quanto é gerado por período ou por unidade kg/dia, kg/funcionário, kg/refeição Contratos, frequência de coleta e indicadores

Qual a composição média do lixo no Brasil?

Segundo o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), aprovado em 2022, a composição média dos resíduos sólidos urbanos no Brasil é esta:

Fração Participação média
Matéria orgânica 45,3%
Recicláveis secos (total) 35,0%
Plásticos 16,8%
Papel e papelão 10,4%
Vidro 2,7%
Metais 2,3%
Embalagens multicamadas 1,4%
Rejeitos e outros Restante

Fonte: Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), 2022.

Por outro lado, essa média nacional serve apenas como referência. Uma empresa tem composição muito diferente: um escritório pode ter mais papel, um restaurante muito mais orgânico e uma indústria pode ter um material de processo dominante. Por isso, o estudo precisa ser feito no próprio local.

Gravimetria em município e em empresa: o que muda?

Aspecto Município Empresa
Objetivo Planejar coleta, triagem e destinação da cidade Dimensionar coletores, contratos, metas e reduzir custos
Amostra Cargas de caminhões de diferentes setores da cidade Resíduos de cada ponto ou setor de geração
Periodicidade Estudos periódicos, a cada alguns anos Na elaboração e na revisão do PGRS, ou após mudanças no processo
Categorias Padrão para comparar com outras cidades Adaptadas aos materiais da operação
Uso típico Plano municipal de gestão integrada PGRS, coleta seletiva e redução de resíduos

O que o relatório deve conter?

  1. 1 Objetivo e escopo: onde, quando e por que o estudo foi feito.
  2. 2 Metodologia: período, forma de amostragem, categorias e equipamentos. Quando houver redução de amostra, a referência técnica é a ABNT NBR 10007, de amostragem de resíduos sólidos.
  3. 3 Resultados por categoria: pesos e percentuais, por dia e na média do período.
  4. 4 Peso específico aparente, quando for usado para dimensionamento.
  5. 5 Taxa de geração por dia e por unidade (funcionário, refeição, produto).
  6. 6 Registro fotográfico das etapas.
  7. 7 Análise e recomendações: o que os números indicam e quais ações priorizar.
  8. 8 Responsável técnico pelo estudo.

Como interpretar os resultados na prática?

Os números só valem quando viram decisão. Veja alguns exemplos de leitura:

Se o estudo mostra... Ação indicada
Muito orgânico no total Avaliar compostagem e rever o desperdício no refeitório. Veja resíduos orgânicos
Muito reciclável no rejeito Separação falhando: revisar sinalização e treinamento
Papelão em grande volume Buscar comprador e avaliar enfardamento
Rejeito contaminado por perigoso Isolar o perigoso na origem para não encarecer todo o lote
Grande variação entre dias Ampliar o período do estudo para capturar a rotina real

Erros comuns na gravimetria

  • Fazer em um único dia, que raramente representa a rotina.
  • Escolher uma semana atípica, com feriado, evento ou inventário.
  • Pesar resíduos já separados sem registrar o que ficou misturado.
  • Usar categorias genéricas demais, que não ajudam a decidir o destino.
  • Não medir o peso específico, e depois errar o tamanho dos coletores.

Perguntas frequentes sobre estudo gravimétrico

O estudo gravimétrico é obrigatório?

A lei não usa esse nome, mas o PGRS precisa conter origem, volume e caracterização dos resíduos (Lei 12.305/2010, art. 21, II). Quando não há registros confiáveis, o estudo gravimétrico é o caminho técnico para cumprir essa exigência.

Qual a diferença entre estudo gravimétrico e diagnóstico de resíduos?

O estudo gravimétrico é uma das ferramentas do diagnóstico. O diagnóstico é mais amplo: inclui mapeamento dos pontos de geração, classificação, análise de documentos e contratos. Veja diagnóstico de resíduos.

Quanto tempo dura um estudo gravimétrico?

O campo costuma durar pelo menos uma semana representativa da operação, para captar a variação entre os dias. Em seguida, vêm a tabulação e o relatório.

De quanto em quanto tempo refazer o estudo?

Sempre que o processo, o número de pessoas ou os fornecedores mudarem de forma relevante, e na revisão do PGRS. Dessa forma, as metas continuam comparáveis com a realidade.

Qual a composição média do lixo brasileiro?

Segundo o Planares (2022), 45,3% de matéria orgânica e 35% de recicláveis secos, sendo 16,8% plásticos, 10,4% papel e papelão, 2,7% vidro, 2,3% metais e 1,4% embalagens multicamadas.

Conclusão

Em resumo, o estudo gravimétrico é a fotografia em números dos resíduos de um lugar. Ele mostra a composição, o peso específico e a taxa de geração, e sustenta decisões sobre coletores, contratos, reciclagem, compostagem e metas do PGRS.

Por fim, lembre-se de que o valor do estudo está na interpretação. Se quiser um estudo com relatório e recomendações práticas, fale com a Reciclos.

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