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Resíduos orgânicos: o que são, quanto pesam no lixo e como destinar corretamente

Entenda o que são resíduos orgânicos, quanto representam no lixo brasileiro, por que não devem ir para o aterro, o que diz a lei, quais os destinos possíveis e como empresas podem separar e reduzir esse resíduo.

Maria Eduarda Caçador Branco Escrito por Maria Eduarda Caçador Branco 7 min de leitura
resíduos orgânicos

Os resíduos orgânicos são restos de origem vegetal ou animal, como sobras de comida, cascas, borra de café e podas, e formam a maior fração do lixo brasileiro. Em resumo, eles podem virar adubo ou energia quando bem separados, mas causam mau cheiro, chorume e emissão de gases quando vão misturados para o aterro. Além disso, a lei manda priorizar o aproveitamento desse material.

Neste guia, explicamos o que são os orgânicos, quanto pesam no lixo, o que diz a legislação, quais os destinos possíveis e como empresas podem reduzir e separar essa fração. Se você quer o passo a passo para transformar orgânicos em adubo, veja compostagem de resíduos orgânicos.

O que são resíduos orgânicos?

É orgânico Não é orgânico (ou exige cuidado)
Cascas e sobras de frutas, legumes e verduras Guardanapo e papel toalha usados: rejeito na maioria dos programas
Borra e filtro de papel de café, saquinhos de chá sem grampo Embalagens biodegradáveis: só se o destinador aceitar
Restos de refeições, pães e grãos Óleo de cozinha: tem destino próprio, em garrafa fechada
Folhas, galhos, flores e aparas de grama Fezes de animais domésticos: em geral, rejeito
Cascas de ovos Carnes, laticínios e gordura: aceitos na compostagem industrial, mas evitados em composteiras pequenas

Quanto os orgânicos representam no lixo?

São a maior fração. O Planares (2022) aponta 45,3% de matéria orgânica na composição média dos resíduos sólidos urbanos do país, contra 35% de recicláveis secos. Em outras palavras, quase metade do que vai para a coleta comum é orgânico.

Além disso, boa parte desse volume é comida. Segundo o Food Waste Index Report 2024, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o mundo desperdiçou 1,05 bilhão de toneladas de alimentos em 2022, sendo cerca de 60% nos domicílios, 28% no setor de alimentação fora de casa e 12% no varejo.

Por que não mandar orgânicos para o aterro?

  • Gás metano: sem oxigênio, dentro do aterro, a decomposição do orgânico gera metano, um gás de efeito estufa.
  • Chorume: o líquido gerado na decomposição precisa de tratamento e pode contaminar solo e água se o manejo falhar.
  • Contaminação dos recicláveis: misturado, o orgânico suja papel e embalagens, que perdem valor.
  • Vetores e mau cheiro: atraem moscas, ratos e baratas no armazenamento.
  • Custo: o orgânico é pesado e ocupa espaço no contrato de coleta, mesmo podendo ter outro destino.

O que diz a lei sobre os orgânicos?

  • Lei 12.305/2010, art. 9º: a ordem de prioridade coloca não geração, redução, reutilização e reciclagem antes da disposição final. A compostagem é uma forma de tratamento que evita o aterro.
  • Lei 12.305/2010, art. 36, V: cabe ao titular do serviço de limpeza urbana implantar sistema de compostagem para resíduos orgânicos e articular formas de utilização do composto.
  • Decreto 10.936/2022, art. 8º: a coleta seletiva deve separar, no mínimo, secos e orgânicos, e os geradores devem segregar os resíduos conforme a regra do município.
  • Resolução Conama 481/2017: estabelece critérios e procedimentos para o controle e a qualidade ambiental da compostagem de resíduos orgânicos.
  • Lei 14.016/2020: autoriza e incentiva a doação de excedentes de alimentos próprios para consumo, com regras de responsabilidade para o doador.
  • Leis municipais: muitas cidades definem regras para grandes geradores de resíduos, como restaurantes e supermercados.

Quais são os destinos corretos para resíduos orgânicos?

Siga a ordem de prioridade. Em primeiro lugar, evitar; depois, doar o que ainda é alimento; só então tratar o que sobrou:

Destino Quando usar Resultado
Redução na fonte Sempre, antes de qualquer outro Menos compra, menos resíduo
Doação de alimentos Excedentes próprios para consumo, dentro da validade Alimento aproveitado, com base na Lei 14.016/2020
Compostagem Sobras de preparo, cascas, podas e restos não aproveitáveis Composto usado como adubo
Biodigestão Grandes volumes e operações com estrutura para o sistema Biogás e biofertilizante
Aterro sanitário Última opção, para o que não teve outro aproveitamento Disposição final

Como separar a fração orgânica?

  1. 1 Use coletor com tampa, de preferência com pedal, para evitar odor e insetos. Pela Resolução Conama 275/2001, a cor de referência dos orgânicos é o marrom.
  2. 2 Coloque o coletor onde o orgânico nasce, como cozinha, copa e refeitório.
  3. 3 Não misture embalagens: potes e sachês vão para o reciclável, depois de esvaziados.
  4. 4 Esvazie com frequência, em geral diariamente, e mantenha o coletor limpo.
  5. 5 Combine o destino antes: compostagem própria, empresa de compostagem ou coleta municipal de orgânicos, onde houver.

Orgânicos nas empresas: onde agir primeiro?

Tipo de empresa Principal fonte de orgânicos Primeira ação
Restaurante e refeitório Sobras de pratos e preparo Pesar sobras e ajustar cardápio e porções
Supermercado e hortifrúti Frutas e verduras fora do padrão Doar o que é próprio para consumo e compostar o restante
Hotel e evento Bufês e cozinhas Dimensionar a produção pelo público real
Escritório Copa e borra de café Coletor de orgânicos na copa e parceria de compostagem
Condomínio Cozinhas dos moradores e jardins Coleta de orgânicos ou compostagem comunitária

Para medir quanto orgânico a sua empresa gera, o caminho é o estudo gravimétrico. E para reduzir o desperdício na origem, veja redução de resíduos nas empresas. Na hora de contratar o destino, siga o guia de destinação de resíduos orgânicos.

Erros comuns com os orgânicos

  • Pular a redução e ir direto para a compostagem.
  • Misturar orgânicos com recicláveis, o que suja e desvaloriza os dois.
  • Jogar óleo de cozinha na pia, em vez de guardar em garrafa para reciclagem.
  • Descartar alimento ainda próprio para consumo, quando poderia ser doado.
  • Usar coletor sem tampa, o que atrai insetos e gera reclamações.

Perguntas frequentes sobre resíduos orgânicos

Qual a cor da lixeira de resíduos orgânicos?

Marrom, segundo a Resolução Conama 275/2001. A resolução é obrigatória para órgãos públicos e serve como padrão recomendado para empresas.

Casca de ovo e borra de café são orgânicos?

Sim. Ambos vão para a fração orgânica e são bem aceitos na compostagem, inclusive a borra com o filtro de papel.

Papel toalha e guardanapo são orgânicos?

Na maioria dos programas, são tratados como rejeito, porque podem conter produtos de limpeza e restos diversos. Alguns programas de compostagem aceitam, então confirme com quem recebe o material.

A empresa pode doar sobras de alimentos?

Sim. A Lei 14.016/2020 autoriza a doação de excedentes próprios para consumo, dentro da validade e em boas condições de conservação. Pela lei, doador e intermediário só respondem civil e administrativamente por danos se agirem com dolo.

Qual a diferença entre compostagem e biodigestão?

A compostagem decompõe o orgânico com oxigênio e gera composto para adubo. A biodigestão faz a decomposição sem oxigênio, em um equipamento fechado, e gera biogás e biofertilizante.

Conclusão

Em resumo, os resíduos orgânicos são quase metade do lixo brasileiro e têm destino melhor do que o aterro. A ordem certa é reduzir, doar o que ainda é alimento, separar bem e tratar o restante por compostagem ou biodigestão.

Por fim, lembre-se de que a separação na origem é o que torna qualquer destino possível. Se quiser apoio na sua empresa, fale com a Reciclos.

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