Gestão de resíduos em hotéis: quarto, café da manhã e lavanderia
Como organizar os resíduos de um hotel área por área, montar o carrinho da camareira, lidar com amenities, enxoval, colchões e objetos esquecidos, e quando o hotel vira grande gerador em Juiz de Fora.
Escrito por
Maria Eduarda Caçador Branco
5 min de leitura
Na troca de quarto, a camareira tem poucos minutos para tirar a roupa de cama, limpar o banheiro e esvaziar os coletores. Se o carrinho dela tem um saco só, tudo o que o hóspede deixou vai junto, e a separação acaba ali.
A gestão de resíduos em hotéis depende menos do hóspede e mais da rotina da equipe. O resíduo nasce espalhado, em dezenas de quartos, no café da manhã, na lavanderia e na manutenção, e quem recolhe é que define se ele chega separado ao abrigo. Em Juiz de Fora, a Lei do Programa Lixo Zero pede recicláveis secos e rejeitos separados, e o hotel que passa do limite diário entra nas regras de grande gerador.
O que sai de cada área do hotel?
O que muita gente chama de lixo de hotel é, na verdade, uma mistura de resíduos bem diferentes, e cada área produz a sua parte.
| Área | O que costuma sair | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Quartos e banheiros | Garrafas, latas, embalagens de lanche, frascos de amenities, papel higiênico | Hóspede raramente separa; a separação acontece no carrinho |
| Recepção e corredores | Papel, folhetos, copos, embalagens | Coletores identificados perto dos elevadores e da saída |
| Café da manhã | Restos de comida, guardanapos, embalagens individuais de geleia e manteiga | Segue as regras sanitárias da cozinha |
| Lavanderia | Bombonas de produtos, enxoval danificado, fiapos | Produtos químicos com destino próprio |
| Manutenção | Lâmpadas, pilhas, peças, restos de obras pequenas | Fora das frações comuns |
| Salões de eventos | Grande volume em poucas horas | Coletores extras e equipe combinada |
Exemplos gerais. Cada hotel tem o seu perfil, conforme os serviços que oferece.
O hóspede precisa separar no quarto?
Não precisa ser ele o responsável. Há dois caminhos possíveis. No primeiro, o quarto tem um coletor só e a camareira separa o conteúdo no carrinho. No segundo, o quarto tem dois coletores pequenos, identificados com desenhos, que funcionam melhor também para hóspedes estrangeiros. Mesmo no segundo caso, a camareira confere antes de juntar o material.
Um cartão curto no quarto ajuda, explicando que o hotel separa os resíduos e onde ficam os recicláveis. O tom deve ser de informação, e não de cobrança.
Como montar o carrinho da camareira?
- 1 Dois sacos fixos, identificados, um para recicláveis e outro para rejeitos.
- 2 Uma caixa pequena para pilhas, carregadores e outros itens que não entram nas frações comuns.
- 3 Luvas sempre no carrinho, porque o conteúdo dos coletores do quarto é imprevisível.
- 4 Um ponto de troca por andar, onde os sacos cheios esperam a descida, sem ficar no corredor.
- 5 Descida em horário combinado até o abrigo, mantendo as frações separadas até o fim.
E os frascos de amenities?
Frascos vazios de xampu, condicionador e sabonete líquido vão para os recicláveis. Sabonetes em barra usados e embalagens sujas de creme entram nos rejeitos. Quando o hotel troca os frascos individuais por dispensers fixos no banheiro, a quantidade de frascos cai bastante, e esse costuma ser o maior ganho de redução no quarto.
O que fazer com enxoval, colchões e móveis?
Toalhas e lençóis manchados ou rasgados podem virar panos de limpeza do próprio hotel. Peças ainda em bom estado podem ser doadas a abrigos e instituições. O que não tem mais uso pode ir para empresas que recebem resíduos têxteis.
Colchões, camas e móveis não entram na coleta comum e não devem ser deixados na calçada. Procure uma empresa licenciada para volumosos e guarde o comprovante. Quando a troca é grande, como na reforma de um andar inteiro, vale planejar o destino antes de os móveis novos chegarem.
E o que o hóspede esquece?
Depois do prazo de guarda do achados e perdidos, pilhas, carregadores, fones e aparelhos quebrados não devem ir para a coleta comum. Junte esses itens em uma caixa própria e entregue em pontos de recebimento de eletrônicos e pilhas. As lâmpadas trocadas pela manutenção seguem o mesmo cuidado, explicado em descarte de lâmpadas fluorescentes.
Hotel em Juiz de Fora é grande gerador?
Depende do volume. O hotel que passa de 200 litros ou 100 quilos por dia precisa de PGRS e de coleta própria para o excedente. Abaixo disso, o prazo para separar e ter coletores identificados é maio de 2027.
No hotel, a geração acompanha a ocupação. Uma medição feita numa semana vazia pode esconder o que acontece num feriado com o hotel cheio ou num fim de semana com casamento no salão. Por isso, vale medir em períodos de ocupação diferentes. Veja como em grande gerador de resíduos.
Perguntas frequentes sobre resíduos em hotéis
Hotel precisa de PGRS?
Em Juiz de Fora, precisa quando passa de 200 litros ou 100 quilos por dia. Hotéis com restaurante aberto ao público, lavanderia própria ou salão de eventos chegam a esse limite com mais facilidade.
Os restos do café da manhã vão para os recicláveis?
Não. Restos de comida vão com os rejeitos, a não ser que o hotel tenha compostagem. Embalagens individuais de geleia e manteiga, quando sujas, também entram nos rejeitos.
Pousada pequena também precisa separar?
Sim. A obrigação de separar vale para todos. O que muda é o prazo, maio de 2027 para quem está abaixo do limite de grande gerador, e a dispensa do plano.
Por onde começar nesta semana
Acompanhe uma camareira em três trocas de quarto e veja o que sai de cada coletor. Depois, coloque o segundo saco no carrinho e combine com ela onde cada material deve ir.
Se quiser ajuda para organizar os resíduos do hotel, fale com a Reciclos: acompanhamos a rotina da equipe e montamos a separação área por área.
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