Coleta seletiva em escolas: como implantar com alunos, professores e equipe
Como organizar a coleta seletiva na escola, espaço por espaço, o que fazer no refeitório e nas festas, como envolver os alunos sem criar uma disciplina a mais e quais são os prazos em Juiz de Fora.
Escrito por
Maria Eduarda Caçador Branco
5 min de leitura
O sinal do recreio toca, e em vinte minutos o pátio se enche de embalagens de biscoito, caixinhas de suco e guardanapos. Quando a escola decide implantar a coleta seletiva, é nesse momento que tudo se resolve, ou não.
A coleta seletiva em escolas funciona quando a separação é simples para quem descarta e bem resolvida por quem recolhe. São dois coletores identificados em cada ponto, recicláveis secos e rejeitos, colocados onde o resíduo surge. A equipe de limpeza mantém as frações separadas até a saída, e o tema entra nas aulas de forma contínua. Em Juiz de Fora, a Lei do Programa Lixo Zero já vale para escolas públicas e grandes geradoras, e as demais escolas têm até maio de 2027.
Qual é o prazo da minha escola em Juiz de Fora?
| Escola | Situação |
|---|---|
| Escola pública | Já fiscalizada, porque edificações públicas estão na primeira fase da lei, desde maio de 2026 |
| Escola que passa de 200 litros ou 100 quilos por dia | Já fiscalizada como grande gerador, com PGRS e comprovação semestral |
| Demais escolas | Até maio de 2027 para separar e ter coletores identificados |
Lei 15.100/2025 e Decreto 17.804/2026.
Escolas com refeitório merecem atenção: os restos de comida pesam, e podem levar a escola ao limite de grande gerador. Por isso, vale medir por uma semana comum de aulas antes de concluir. Veja como em grande gerador de resíduos.
O que colocar em cada espaço da escola?
| Espaço | O que mais sai | O que ajuda |
|---|---|---|
| Salas de aula | Papel, apontamentos de lápis, embalagens de lanche | Coletor de recicláveis e de rejeitos perto da porta, e não no fundo da sala |
| Pátio e corredores | Embalagens, caixinhas de suco, guardanapos | Pares de coletores nos pontos de maior circulação no recreio |
| Refeitório e cantina | Restos de comida, guardanapos, embalagens | Rejeitos próximos às mesas e um ponto definido para devolver as bandejas |
| Secretaria e sala dos professores | Papel de escritório, copos, cartuchos | Coletor de papel perto da impressora e destino próprio para cartuchos |
| Cozinha | Cascas, sobras de preparo, embalagens de alimentos | Coletores com tampa e caixas desmontadas assim que a mercadoria chega |
Para os pequenos, a identificação funciona melhor com desenhos e com exemplos reais, como uma caixinha de suco colada no coletor de recicláveis. Para os maiores, frases curtas resolvem. Em todos os casos, coletores na altura das crianças fazem diferença.
Quem precisa ser envolvido?
- Equipe de limpeza: é ela que decide o destino de quase todo o material. Explique o motivo da separação, e não só a tarefa nova.
- Cozinha e cantina: definem o que sai do refeitório e podem reduzir as sobras.
- Professores: levam o tema para as aulas e ajudam a corrigir os erros nos primeiros dias.
- Alunos: podem ajudar a observar os coletores e mostrar os resultados para a turma.
- Famílias: recebem a explicação e podem repetir o hábito em casa.
Como levar o tema para as aulas?
A Lei 9.795/1999, da Política Nacional de Educação Ambiental, determina que a educação ambiental esteja presente em todos os níveis de ensino como prática integrada, contínua e permanente. Ela também veda que o tema seja implantado como disciplina específica no currículo da educação básica (art. 10, § 1º).
Na escola, a coleta seletiva vira material de aula sem exigir uma matéria nova. Em matemática, os alunos podem pesar os recicláveis de uma semana. Em ciências, dá para acompanhar uma composteira. E em português, eles podem criar os cartazes dos coletores. Assim, o tema aparece em várias disciplinas ao longo do ano, e não só na semana do meio ambiente.
E as festas e o fim do ano letivo?
Festas juninas, feiras e formaturas geram muito resíduo em poucas horas. Planeje coletores extras e combine com a equipe quem cuida deles durante o evento. Se a festa for aberta ao público, vale conferir as regras de eventos da cidade em gestão de resíduos em eventos.
No fim do ano letivo, também saem cadernos, provas e papéis guardados. Separe esse material para a coleta seletiva e, se houver documentos com dados de alunos, garanta que sejam descaracterizados antes do descarte.
Para onde vão os recicláveis da escola?
Para a coleta seletiva do Demlurb, que tem dia e horário próprios. Consulte a rota do endereço no portal do Demlurb e combine quem leva o material para a calçada, com até duas horas de antecedência. Também é possível entregar diretamente a uma associação ou cooperativa de catadores, guardando o comprovante.
Perguntas frequentes sobre coleta seletiva em escolas
Preciso de um coletor para cada material?
Não. A Lei do Programa Lixo Zero pede no mínimo duas frações: recicláveis secos, todos juntos, e rejeitos. Para as crianças, essa divisão também é mais fácil de entender.
Os restos da merenda vão para a coleta seletiva?
Não. Pela lei, os restos de comida vão com os rejeitos. Se a escola quiser ir além, pode fazer compostagem, que também rende atividades de ciências. Veja compostagem de resíduos orgânicos.
Escola pequena também precisa cumprir a lei?
Sim. A obrigação de separar vale para todos os geradores. O que muda é o prazo e a necessidade de plano, que só existe para os grandes geradores.
Por onde começar nesta semana
Observe o pátio em um recreio e anote onde as embalagens se acumulam. É ali que ficam os primeiros coletores. Depois, converse com a equipe de limpeza antes de avisar os alunos.
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