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Separação de resíduos: guia do que vai em cada lixeira, com os itens que confundem

Guia prático de separação de resíduos: como separar em secos, orgânicos e rejeitos, o que é e o que não é reciclável, se precisa lavar embalagens e onde descartar pilhas, lâmpadas, eletrônicos e remédios.

Maria Eduarda Caçador Branco Escrito por Maria Eduarda Caçador Branco 7 min de leitura
separação de resíduos

A separação de resíduos é o passo que decide se um material vai ser reaproveitado ou enterrado em um aterro. Em resumo, a regra básica tem três partes: recicláveis secos, orgânicos e rejeitos, com os resíduos especiais, como pilhas e lâmpadas, sempre à parte. Por outro lado, é nos detalhes que a maioria erra: papel engordurado, cupom fiscal, espelho e isopor confundem até quem separa há anos.

Neste guia, mostramos o que vai em cada lixeira, uma tabela do que é e do que não é reciclável, se é preciso lavar as embalagens e onde descartar cada resíduo especial. Além disso, explicamos o que a legislação diz sobre separar.

O que é separação de resíduos?

É dividir o que você descarta em grupos, de acordo com o material e com o destino que cada grupo pode ter. Para isso, vale conhecer três conceitos:

Como fazer a separação de resíduos em 3 frações

Fração O que vai Dica prática
Recicláveis secos Papel, papelão, garrafas e potes plásticos, latas, vidros, tampas, embalagens longa vida Esvazie e retire restos de comida antes de descartar
Orgânicos Restos de alimentos, cascas de frutas e legumes, borra e filtro de café, folhas e podas Use coletor com tampa e esvazie com frequência
Rejeitos Papel higiênico, fraldas, absorventes, guardanapos e papéis sujos, fitas adesivas, bitucas Na dúvida entre reciclável sujo e rejeito, rejeito

O que é reciclável e o que não é?

Esta é a parte que mais gera erro. A tabela reúne os itens que mais confundem, por material:

Material Vai para reciclável Não vai (ou tem baixa aceitação)
Papel Folhas, jornais, revistas, caixas de papelão, envelopes Papel engordurado ou molhado, papel higiênico, guardanapo usado, fotografias, cupom fiscal térmico (em geral não aceito)
Plástico Garrafas PET, frascos de limpeza e higiene, potes, sacolas, tampas Embalagens muito sujas de gordura; isopor e embalagens metalizadas, como as de salgadinho, são recicláveis em tese, mas têm baixa aceitação
Vidro Garrafas, potes e frascos Espelhos, vidro temperado, cerâmica, porcelana, lâmpadas
Metal Latas de alimento e bebida, tampas, papel alumínio limpo, pequenas sucatas Pilhas e baterias, que vão para a logística reversa
Embalagem longa vida Caixas de leite e suco, esvaziadas —

A aceitação varia conforme o reciclador e a cooperativa da sua região. Confirme com quem recolhe.

Vale destacar que o motivo de alguns itens não serem aceitos quase nunca é o material em si, e sim a contaminação ou a falta de mercado. Por exemplo, o papel engordurado atrapalha o processo de reciclagem do papel, e o isopor, por ser muito leve e volumoso, custa caro para transportar.

Precisa lavar as embalagens antes de separar?

Não é preciso lavar com detergente. Basta retirar os restos e, se necessário, dar um enxágue rápido. O objetivo é evitar que restos de comida contaminem os outros materiais, atraiam insetos e causem mau cheiro. Por outro lado, gastar muita água para deixar a embalagem impecável não faz sentido ambiental.

  • Potes de iogurte e margarina: raspe com uma colher e enxágue rapidamente.
  • Garrafas e latas: esvazie completamente.
  • Caixas de pizza: a parte limpa vai para o reciclável; a parte engordurada, para o rejeito.
  • Embalagens longa vida: esvazie e, se possível, amasse para ocupar menos espaço.

Onde descartar pilhas, lâmpadas, eletrônicos e outros resíduos especiais?

Esses itens não vão em nenhuma das três frações. Eles têm destino próprio, em geral por meio da logística reversa, em que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes recebem o produto de volta após o uso:

Resíduo Onde descartar Base legal
Pilhas e baterias Pontos de coleta em lojas e supermercados Lei 12.305/2010, art. 33, II
Lâmpadas fluorescentes Pontos de coleta indicados pelos fabricantes e comerciantes Lei 12.305/2010, art. 33, V
Eletroeletrônicos Pontos de entrega voluntária de eletrônicos Lei 12.305/2010, art. 33, VI
Pneus Revendas e pontos de coleta de pneus Lei 12.305/2010, art. 33, III
Óleo lubrificante e embalagens Postos e revendas que fazem o recolhimento Lei 12.305/2010, art. 33, IV
Medicamentos vencidos Farmácias com coletor de medicamentos Decreto 10.388/2020
Óleo de cozinha usado Pontos de coleta e empresas de reciclagem de óleo, em garrafa fechada Nunca na pia ou no ralo

Separação de resíduos no trabalho: o que muda?

Nas empresas, a lógica é a mesma, mas com mais responsabilidade. Em primeiro lugar, o Decreto 10.936/2022 (art. 8º, § 2º) obriga os geradores a separar os resíduos na forma definida pela prefeitura. Em segundo lugar, deixar de segregar onde a coleta seletiva foi instituída pode gerar multa (Decreto 6.514/2008, art. 62, XIII).

Além disso, as empresas costumam usar o código de cores da Resolução Conama 275/2001 para identificar os coletores. Explicamos como montar o programa em coleta seletiva em empresas e como escolher os coletores em lixeiras para coleta seletiva.

Por que a separação de resíduos faz diferença?

O Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da Abrema. Em Juiz de Fora, segundo o Demlurb, das cerca de 500 toneladas diárias de lixo apenas 1% é reciclado, e a coleta seletiva responde por 7 toneladas por dia (dados publicados pelo G1 em junho de 2025).

Dessa forma, fica claro que o gargalo não está só na coleta, mas na separação feita em casa e no trabalho. Material misturado perde valor, contamina outros resíduos e acaba no aterro.

Erros mais comuns na separação

  • Colocar papel sujo no reciclável, o que pode contaminar o lote inteiro de papel.
  • Jogar pilhas e lâmpadas no lixo comum, quando elas deveriam ir para a logística reversa.
  • Descartar vidro quebrado solto, o que coloca em risco quem faz a coleta. Embrulhe em jornal ou caixa e identifique.
  • Separar em casa e colocar tudo no mesmo saco na hora da coleta.
  • Confundir biodegradável com compostável, como algumas embalagens que precisam de condições industriais para se decompor.

Perguntas frequentes sobre separação de resíduos

Cupom fiscal é reciclável?

Em geral, não. O cupom fiscal é impresso em papel térmico, que tem um revestimento químico e costuma não ser aceito na reciclagem de papel. Por isso, o mais seguro é descartá-lo como rejeito.

Isopor vai no reciclável?

O isopor é tecnicamente reciclável, mas muitos recicladores não aceitam por ser leve e volumoso. Confirme com a cooperativa ou o reciclador da sua região antes de separar.

Espelho e vidro de janela são recicláveis?

Não na reciclagem comum de vidro. Espelhos e vidros temperados têm composição diferente das embalagens de vidro. Embrulhe bem e descarte como rejeito ou procure um ponto específico.

Guardanapo e papel toalha usados vão para onde?

Para o rejeito. Papéis sujos ou molhados não são aceitos na reciclagem de papel. Em programas de compostagem, alguns papéis sem produtos químicos podem ir para os orgânicos, mas só se o programa aceitar.

É obrigatório separar o lixo em casa?

Onde há coleta seletiva instituída pela prefeitura, o Decreto 10.936/2022 determina que os geradores separem os resíduos na forma estabelecida pelo município. Algumas cidades têm leis próprias com prazos, como Juiz de Fora com a Lei 15.100/2025.

Conclusão

Em resumo, a separação de resíduos funciona com três frações, secos, orgânicos e rejeitos, e com os resíduos especiais sempre à parte. O segredo está nos detalhes: retirar restos de comida, saber o que não é reciclável e usar a logística reversa para pilhas, lâmpadas e eletrônicos.

Por fim, lembre-se de que uma separação simples e bem feita vale mais do que muitas lixeiras usadas de qualquer jeito. Se quiser levar isso para a sua empresa, conheça os serviços da Reciclos.

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