Como fazer gestão de resíduos: método em 7 passos para qualquer organização
Veja como fazer gestão de resíduos na prática, com um método em 7 passos que funciona em empresas, condomínios, escolas e eventos: do diagnóstico à destinação correta, com indicadores para medir o resultado.
Escrito por
Maria Eduarda Caçador Branco
9 min de leitura
Saber como fazer gestão de resíduos é, antes de tudo, seguir uma ordem: primeiro descobrir o que você gera, depois gerar menos, separar melhor e só então escolher o destino de cada material. Em resumo, o método tem sete passos: definir quem lidera, fazer o diagnóstico, reduzir na fonte, organizar a separação, dar o destino certo, engajar as pessoas e medir o resultado. Além disso, ele funciona em qualquer tipo de organização, de uma indústria a uma festa com mil convidados.
Neste guia, explicamos cada passo com exemplos práticos, mostramos para onde vai cada tipo de resíduo e o que muda entre empresa, condomínio, escola e evento. Por fim, reunimos os erros que mais vemos nos programas que implantamos.
O que é gestão de resíduos?
Gestão de resíduos é o conjunto de decisões e rotinas que organizam o que acontece com os resíduos, da geração até o destino final. Vale destacar que a Política Nacional de Resíduos Sólidos usa dois termos com sentidos diferentes, e entender essa diferença ajuda a planejar:
Como fazer gestão de resíduos em 7 passos
O método abaixo é o mesmo que usamos para estruturar programas em organizações de portes diferentes. Cada passo responde a uma pergunta simples:
| Passo | Pergunta que responde | Resultado esperado |
|---|---|---|
| 1. Liderança | Quem cuida disso? | Responsável ou comitê definido |
| 2. Diagnóstico | O que e quanto geramos? | Lista de resíduos com quantidades |
| 3. Redução | O que dá para não gerar? | Ações de redução na fonte |
| 4. Separação | Como separar sem confusão? | Coletores, cores e sinalização |
| 5. Destinação | Para onde vai cada resíduo? | Parceiros e destinos definidos |
| 6. Engajamento | Como as pessoas vão aderir? | Equipe treinada e comunicação ativa |
| 7. Medição | Está funcionando? | Indicadores acompanhados todo mês |
Passo 1: quem vai liderar a gestão de resíduos?
Defina uma pessoa responsável e, se possível, um pequeno comitê com representantes das áreas que mais geram resíduo. Sem dono, o programa perde força em poucas semanas.
Além disso, se a organização é obrigada a ter PGRS, a lei exige um responsável técnico devidamente habilitado para elaborar, implementar e monitorar o plano (Lei 12.305/2010, art. 22). Nesse caso, o líder interno trabalha junto com esse profissional. Veja se é o seu caso no artigo quem precisa de PGRS.
Passo 2: como descobrir o que você gera?
Faça um diagnóstico: percorra todos os ambientes, anote cada tipo de resíduo, onde ele surge e para onde vai hoje. Em seguida, pese ou estime as quantidades por pelo menos uma semana típica.
- Liste os pontos de geração, como cozinha, escritório, produção, banheiros e áreas externas.
- Identifique os resíduos perigosos, como pilhas, lâmpadas, óleo lubrificante, tintas e produtos químicos. Eles exigem destino próprio.
- Pese por tipo durante uma semana e calcule a média diária. Esse método, chamado estudo gravimétrico, está detalhado no nosso guia de como elaborar PGRS.
- Confira os contratos atuais de coleta: frequência, volume contratado e custo.
Passo 3: como reduzir o resíduo antes de separar?
Reduzir vem antes de reciclar, e a lei deixa isso claro na ordem de prioridade do art. 9º. Portanto, olhe para o diagnóstico e pergunte: qual resíduo existe só por hábito ou por falta de planejamento?
| Ambiente | Exemplos de redução na fonte |
|---|---|
| Empresa | Comprar insumos a granel, negociar embalagens retornáveis com fornecedores, digitalizar documentos |
| Condomínio | Estimular sacolas retornáveis, organizar feiras de troca, controlar o desperdício em áreas comuns |
| Escola | Garrafas e canecas individuais, cardápio planejado para reduzir sobras, material reaproveitado em atividades |
| Evento | Copos retornáveis, cardápio dimensionado pelo número de convidados, doação de alimentos que não saíram |
Passo 4: como organizar a separação dos resíduos?
Comece simples. Em geral, duas ou três frações bem separadas funcionam melhor do que dez lixeiras que ninguém entende. Por exemplo: recicláveis secos, orgânicos e rejeitos.
- Use o código de cores da Resolução Conama 275/2001 como referência. Ele é obrigatório em programas de órgãos públicos e, nas empresas, serve como padrão recomendado (azul para papel, vermelho para plástico, verde para vidro, amarelo para metal, marrom para orgânicos, laranja para perigosos e cinza para rejeitos, entre outras cores).
- Coloque os coletores onde o resíduo nasce, e não apenas em um ponto central.
- Sinalize com imagens reais dos resíduos daquele local, e não com listas genéricas.
- Separe os perigosos em local próprio, identificado e fora do alcance do público.
Vale lembrar que, onde a prefeitura instituiu coleta seletiva, deixar de segregar os resíduos pode gerar penalidade (Decreto 6.514/2008, art. 62, XIII). Em Juiz de Fora, por exemplo, a Lei Municipal 15.100/2025 exige a separação em no mínimo duas frações, com prazos escalonados por tipo de gerador.
Passo 5: para onde vai cada tipo de resíduo?
Cada fração precisa de um destino definido e, sempre que possível, comprovado. A tabela resume os caminhos mais comuns:
| Resíduo | Destino recomendado | Observação |
|---|---|---|
| Recicláveis secos | Cooperativas e associações de catadores ou recicladores | Gera renda local e pode reduzir o custo de coleta |
| Orgânicos | Compostagem, no local ou por empresa especializada | Reduz o volume enviado ao aterro |
| Óleo de cozinha usado | Empresas de reciclagem de óleo | Nunca na pia ou no ralo |
| Pilhas, baterias, lâmpadas, pneus, eletroeletrônicos e óleo lubrificante | Logística reversa, com retorno ao fabricante, importador ou comerciante | Obrigação prevista no art. 33 da Lei 12.305/2010 |
| Resíduos perigosos em geral | Transportador e destinador licenciados, com MTR | O gerador continua responsável até o destino final |
| Rejeitos | Aterro sanitário licenciado | Última opção na ordem de prioridade |
Por outro lado, contratar um prestador não transfere a responsabilidade. Pelo art. 27, § 1º, da Lei 12.305/2010, o gerador responde por danos causados pelo manejo inadequado, mesmo depois de contratar terceiros. Por isso, confira a licença de quem recolhe e guarde os comprovantes.
Passo 6: como engajar as pessoas?
O engajamento decide se a separação funciona ou vira mistura. Na nossa experiência, três ações fazem mais diferença do que qualquer campanha isolada:
- 1 Treinamento curto e prático no próprio local, com os resíduos reais daquele ambiente.
- 2 Retorno dos resultados, como quantos quilos foram reciclados no mês. As pessoas aderem quando veem efeito.
- 3 Pontos focais por setor, que tiram dúvidas e corrigem erros na hora.
Passo 7: como medir se a gestão de resíduos funciona?
Meça todo mês com poucos indicadores. Dessa forma, fica fácil perceber o que melhorou e onde agir:
- Geração total em quilos por mês.
- Taxa de reciclagem: quilos reciclados divididos pelo total gerado, vezes 100.
- Contaminação dos recicláveis: percentual de material errado encontrado nos coletores.
- Custo de destinação por mês, para mostrar a economia obtida.
- Comprovação: percentual de cargas com certificado de destinação.
Esse ciclo de planejar, executar, medir e corrigir é o mesmo que a norma ABNT NBR ISO 14001:2015 usa para sistemas de gestão ambiental. Assim, quem estrutura bem os resíduos já dá um passo importante rumo a uma certificação.
Gestão de resíduos em empresa, condomínio, escola e evento: o que muda?
O método é o mesmo, mas o foco muda conforme o ambiente. Veja as diferenças principais:
| Ambiente | Resíduos típicos | Ponto de atenção | Obrigação legal comum |
|---|---|---|---|
| Empresa | Embalagens, papel, resíduos do processo, perigosos | Contratos, licenças e MTR | PGRS, quando enquadrada no art. 20 da Lei 12.305/2010 |
| Condomínio | Recicláveis secos, orgânicos, óleo, eletrônicos | Adesão dos moradores | Regras municipais de coleta seletiva e de grande gerador |
| Escola | Papel, restos de alimento, embalagens | Educação ambiental contínua | Regras municipais e, na rede pública, programas oficiais |
| Evento | Copos, embalagens, orgânicos em grande volume | Pico de geração em poucas horas | Em Juiz de Fora, a Lei 15.100/2025 alcança os eventos em fases, começando pelos de mil pessoas ou mais |
Por que isso importa: os números do lixo no Brasil
O Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024, o equivalente a 384 kg por habitante no ano, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da Abrema. Em Juiz de Fora, segundo o Demlurb, são cerca de 500 toneladas de lixo por dia, das quais 7 toneladas vêm da coleta seletiva e apenas 1% do total é reciclado (dados publicados pelo G1 em junho de 2025).
Em outras palavras, a maior parte do que poderia ser reaproveitado ainda termina misturada. Portanto, qualquer organização que separa bem já faz diferença real, além de reduzir custos.
Erros comuns na gestão de resíduos
- Comprar lixeiras antes do diagnóstico, com cores e tamanhos que não combinam com os resíduos reais.
- Separar e depois misturar na coleta, porque ninguém combinou o destino de cada fração.
- Esquecer os perigosos, como pilhas e lâmpadas descartadas no lixo comum.
- Contratar prestador sem licença, o que transfere risco para a sua organização.
- Fazer campanha uma vez só e não medir nada depois.
Perguntas frequentes sobre como fazer gestão de resíduos
Gestão de resíduos é obrigatória?
Dar destino adequado aos resíduos é obrigatório para todos os geradores. Já o plano formal, o PGRS, é exigido de quem se enquadra no art. 20 da Lei 12.305/2010, como indústrias, serviços de saúde, construção civil e comércios com resíduo perigoso ou em grande volume. Além disso, leis municipais podem exigir coleta seletiva de outros geradores.
Por onde começar a gestão de resíduos com pouco orçamento?
Pelo diagnóstico e pela redução. Descobrir o que você gera e cortar desperdícios custa pouco e, muitas vezes, já reduz o valor da coleta. Em seguida, comece com duas frações bem separadas e parcerias com cooperativas locais.
Quantas lixeiras eu preciso?
Depende do diagnóstico. Na maioria dos casos, recicláveis secos, orgânicos e rejeitos resolvem, com um ponto separado para perigosos. Mais cores só valem a pena quando existe destino diferente para cada uma.
O que fazer com eletrônicos, pilhas e lâmpadas?
Esses itens entram na logística reversa do art. 33 da Lei 12.305/2010. Ou seja, devem voltar ao fabricante, importador, distribuidor ou comerciante, geralmente por pontos de entrega voluntária. Não descarte no lixo comum.
Quanto tempo leva para implantar a gestão de resíduos?
Em organizações de pequeno e médio porte, o diagnóstico leva poucas semanas, e a implantação com treinamento costuma levar de um a três meses. O prazo depende do número de ambientes, das pessoas envolvidas e da existência de resíduos perigosos.
Conclusão
Em resumo, como fazer gestão de resíduos se resume a um método: liderar, diagnosticar, reduzir, separar, destinar, engajar e medir, sempre respeitando a ordem de prioridade da Lei 12.305/2010. Quem segue essa sequência gera menos, gasta menos e comprova tudo com facilidade.
Por fim, lembre-se de que o programa só se sustenta com medição e ajustes constantes. Se quiser ajuda para começar, conheça os serviços da Reciclos ou fale com a gente.
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