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Compostagem em empresas: como decidir o modelo, implantar e medir resultados

Guia de decisão sobre compostagem em empresas: quando vale a pena, os três modelos (no local, terceirizada e parceria), custos a considerar, licenças e regras, setores que mais se beneficiam, indicadores e como comunicar em relatórios ESG.

Maria Eduarda Caçador Branco Escrito por Maria Eduarda Caçador Branco 8 min de leitura
compostagem em empresas

A compostagem em empresas é uma decisão de gestão antes de ser uma técnica: a empresa precisa escolher se composta no próprio local, se contrata um serviço ou se firma uma parceria, e isso depende do volume de orgânicos, do espaço, da equipe e do custo atual de destinação. Em resumo, compensa quando há orgânico em quantidade, separação de qualidade e um destino claro para o composto ou para o serviço contratado.

Neste guia, focamos na decisão e na gestão: quando vale a pena, os três modelos, os custos a considerar, as regras, os indicadores e como comunicar os resultados. Se você procura a técnica, com fases, parâmetros e métodos, veja compostagem de resíduos orgânicos.

O que é compostagem em empresas?

A compostagem vale a pena para a minha empresa?

Responda com dados, e não por intuição. Em primeiro lugar, meça quanto orgânico a empresa gera, com pesagem ou estudo gravimétrico. Em seguida, compare os sinais abaixo:

Sinais de que compensa Sinais de que ainda não compensa
Orgânico é uma fração relevante do resíduo total Orgânico em volume muito pequeno
Refeitório, cozinha ou produção de alimentos no local Sem cozinha e com pouca geração de alimentos
Custo alto de coleta de rejeitos, cobrado por peso ou volume Coleta de rejeitos barata e sem exigência municipal de separar
Área disponível ou parceiro de compostagem na região Sem espaço e sem operador próximo
Metas ESG de desvio de aterro Sem metas ou indicadores ambientais
Lei municipal que exige separação de orgânicos Separação atual de baixa qualidade, com muito plástico misturado

Vale destacar que, se a separação ainda é ruim, o primeiro passo é corrigir a separação. Composto contaminado por plástico e embalagens perde valor e dá trabalho.

Quais são os modelos possíveis?

Critério No local (própria) Terceirizada Parceria
Como funciona A empresa opera o sistema no próprio terreno Uma empresa coleta e composta em sua unidade Cooperativa, horta comunitária ou produtor rural recebe os orgânicos
Espaço Precisa de área Não precisa Não precisa
Equipe Operador treinado e rotina de monitoramento Só separação e armazenamento Só separação, armazenamento e logística combinada
Licença Pode ser exigida conforme porte e órgão ambiental Do operador, que deve ser conferida Do parceiro, quando aplicável, que deve ser conferida
Documentos Registros de operação MTR e certificado de destinação Termo de parceria, comprovantes e, se aplicável, MTR
Uso do composto Jardins, hortas e paisagismo próprios Fica com o operador Fica com o parceiro
Visibilidade interna Alta, ótima para engajamento Baixa Média, com impacto social

Modelos híbridos também são comuns, como compostar parte no local e terceirizar o excedente.

Quais setores mais se beneficiam?

Setor Principal orgânico Modelo mais comum
Restaurantes e refeitórios Sobras de preparo e de pratos Terceirizada ou parceria
Indústria de alimentos Resíduos de processo e descartes de qualidade Terceirizada ou sistema próprio em escala
Supermercados e hortifrútis Frutas e verduras fora do padrão Doação do que é próprio para consumo e compostagem do restante
Hotéis e eventos Bufês e cozinhas Terceirizada
Escolas e universidades Refeitório e jardins No local, com uso pedagógico
Escritórios e condomínios Copa, borra de café, jardins No local em pequena escala ou coleta de orgânicos

Por outro lado, resíduos de serviços de saúde nunca entram em programas de compostagem. Em hospitais e clínicas, só os orgânicos da cozinha e do refeitório, separados na origem, podem ser considerados.

Quanto custa implantar?

O custo depende do modelo e do volume, por isso não existe valor padrão. Para decidir, compare o custo atual de destinar os orgânicos junto com o rejeito com o custo do novo modelo:

Modelo Custos a considerar Economias e ganhos possíveis
No local Composteiras ou estrutura de leiras, material seco, equipamentos de proteção, horas de operação, eventual licença Menos rejeito na coleta e composto para uso próprio
Terceirizada Contrato de coleta e compostagem, coletores específicos, armazenamento Menos rejeito na coleta e comprovação da destinação
Parceria Logística combinada e coletores Menos rejeito na coleta e impacto social

Quais licenças e regras se aplicam?

  • Resolução Conama 481/2017: critérios e procedimentos para o controle e a qualidade ambiental da compostagem de resíduos orgânicos, incluindo o período termofílico mínimo e o registro do processo.
  • Licenciamento ambiental: a necessidade de licença depende do porte e das normas do órgão estadual ou municipal. Consulte antes de implantar em escala.
  • Venda do composto: exige atender às regras do MAPA, como a Instrução Normativa SDA/MAPA 61/2020, no âmbito da Lei 6.894/1980.
  • MTR: se os orgânicos saem da empresa para um operador e a empresa é obrigada a ter PGRS, cada carga precisa de MTR (Portaria MMA 280/2020). Veja MTR resíduos.
  • PGRS: a compostagem deve aparecer no plano como destino dos orgânicos, com quantidades registradas.

Como implantar a compostagem em 6 etapas

  1. 1 Medir a geração de orgânicos por dia e por setor.
  2. 2 Escolher o modelo, com base na tabela de comparação e na conta de saldo.
  3. 3 Organizar a separação, com coletores marrons e treinamento da cozinha e da limpeza.
  4. 4 Contratar ou montar a estrutura, conferindo licenças e contratos.
  5. 5 Registrar tudo: quilos enviados, MTR e certificados, ou registros de operação no local.
  6. 6 Revisar a cada trimestre a qualidade da separação e o saldo financeiro.

Quais indicadores acompanhar?

Indicador Cálculo Para que serve
Orgânicos compostados kg por mês Resultado ambiental principal
Desvio de aterro dos orgânicos kg compostados ÷ kg de orgânicos gerados × 100 Mede a adesão ao programa
Contaminação kg de material estranho ÷ kg de orgânicos × 100 Mede a qualidade da separação
Saldo financeiro Custo evitado − custo do modelo Mostra se o programa se paga
Comprovação Cargas com MTR e certificado ÷ total × 100 Mede o risco documental, no modelo terceirizado

Como comunicar a compostagem em relatórios ESG?

Comunique números comprovados, e não intenções. O padrão GRI 306: Resíduos 2020, da Global Reporting Initiative, trata de resíduos desviados e destinados, e a compostagem entra como desvio de aterro. Portanto, relate quilos compostados, período, método e evidências, como certificados e registros.

Por outro lado, evite frases como lixo zero ou 100% sustentável sem dados que as sustentem. Além de arriscado para a reputação, isso fragiliza o relatório diante de auditores e clientes.

Erros comuns ao implantar

  • Comprar composteira antes de medir o volume de orgânicos.
  • Começar sem treinar a cozinha e a limpeza, que controlam a qualidade da separação.
  • Contratar operador sem conferir licença e sem receber comprovantes.
  • Esquecer o MTR quando os orgânicos saem da empresa.
  • Divulgar resultados sem registro, o que compromete a credibilidade.

Perguntas frequentes sobre compostagem em empresas

Empresa pequena pode fazer compostagem?

Sim. Em pequena escala, composteiras de caixas ou vermicompostagem atendem copas e escritórios. O cuidado principal é a separação e a rotina de manejo.

Precisa de licença para compostar na empresa?

Depende do porte e do órgão ambiental. Pequenos sistemas para uso próprio costumam ter tratamento diferente de unidades que recebem volumes maiores. Consulte o órgão antes de implantar em escala e siga a Resolução Conama 481/2017.

A empresa pode doar o composto?

Pode usar em áreas próprias e doar para hortas e jardins. Para vender como fertilizante, é preciso atender às regras do MAPA, como a IN SDA/MAPA 61/2020.

Compostagem terceirizada precisa de MTR?

Sim, para empresas obrigadas a ter PGRS. Pela Portaria MMA 280/2020, o MTR é obrigatório para todos esses geradores, a cada remessa de resíduo para destinação, incluindo os orgânicos.

Qual a diferença entre compostagem e doação de alimentos?

A doação vem antes: alimento próprio para consumo deve ser doado, com base na Lei 14.016/2020. A compostagem é para o que não serve mais para consumo, como cascas, sobras de preparo e restos de pratos.

Conclusão

Em resumo, a compostagem em empresas começa com uma medição e uma decisão: compostar no local, terceirizar ou firmar parceria. Com separação de qualidade, documentação e indicadores, ela reduz custos, cumpre a ordem de prioridade da Lei 12.305/2010 e gera resultados comprováveis para relatórios ESG.

Por fim, lembre-se de que o melhor modelo é o que a sua operação consegue manter todos os dias. Se quiser apoio para decidir e implantar, fale com a Reciclos.

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